sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A FEB E A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


O INÍCIO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL




O conflito mais sangrento de todos os tempos começou, teoricamente em 1939. Mas já era arquitetado, desde 1919, quando foi assinado o Tratado de Versailles, no dia 28 de junho. Tratado o qual desagradou vencedores e vencidos. Os derrotados tiveram seus territórios divididos de forma irregular, tanto, étnica como geograficamente. Alguns, como Turquia e Hungria, foram mutilados. E para completar o Império Austro-Húngaro foi extinto. O descontentamento maior da parte dos vitoriosos ficou por conta da Itália. O país não obteve todos os benefícios que achava que merecia.

O país mais afetado foi à Alemanha. As 34 cláusulas do documento traziam medidas e exigências exageradas. O país foi obrigado a desocupar a Bélgica, Luxemburgo e França, precisou reduzir seu exército a cem mil soldados, entregou milhares de veículos, terrestre e marítimos, em perfeito estado para os aliados e sua força aérea foi abolida com a entrega de 1700 aviões aos inimigos.

Essas duras atitudes fizeram com que o economista inglês John Maynard Keynes, citasse em seu livro "As Conseqüências Econômicas da Paz"¹ , de 1919, que a próxima guerra seria questão de tempo devido às retaliações aplicadas à Alemanha. O principal foco de sua crítica foi à indenização de 33 bilhões de dólares, que os alemães teriam que pagar. Kaynes duvidou que o país tivesse condições de quitar a dívida. Essa pendência econômica faria com que os germânicos enfrentassem uma crise internar com desemprego e desvalorização da moeda, o que aconteceu, gerando assim uma insatisfação muito grande do povo e exacerbando o nacionalismo.

A recém-formada União Soviética se sentia marginalizada em relação aos outros países europeus, assim como a Alemanha. Para Stálin, o Tratado de Versallies era apenas uma trégua. A Alemanha, dizia ele, não poderia continuar a aceitar tamanhas limitações e condições aviltantes. O Tratado de Versailles proibia o rearmamento alemão. Os germânicos e soviéticos firmaram acordos secretos que permitiam as Forças Armadas Alemães (Wehrmach) a fazer testes com novos armamentos e treinar soldados na União Soviética.

Hitler, em 1923, tentou dar um golpe de estado e foi preso, passando 13 meses em cárcere. Durante esse período, o futuro líder da Alemanha escreveu seu livro, chamado Mein Kampf (Minha Luta). Seu conteúdo era tão arbitrário quanto contundente. Nele, o autor expunha todo o ideal do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazista. No ano em que foi publicado, 1925, o livro já tinha vendido 1,5 milhões de exemplares. Nesse momento para Hitler chegar ao poder era preciso pouco.

Excelente orador, Hitler se tornou Fünher em 1933. Logo, suspendeu todos os direitos civis, dissolveu partidos políticos e sindicatos. Também se iniciou uma caça aos judeus, inaugurando em 23 de abril de 1933 o primeiro campo de concentração, em Dachau.

Hitler possuiu a patente de cabo durante a primeira guerra e mantinha aceso dentro de si o desejo de vingança. Em 1º de setembro de 1939 a Alemanha atacou militarmente a Polônia - que antes do Tratado de Versallies era território alemão - alegando violação de fronteiras. Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha por violarem o tratado. Em menos de um ano os alemães já possuíam tropas na Polônia, Dinamarca, Noruega, Bélgica, Holanda e França.

Japão e Itália se aliaram a Alemanha em 1936 e 1937, respectivamente, quando assinaram o Pacto Anti-Comunista. Posteriormente em 27 de setembro de 1940, assinaram o Pacto Tripartidarista, que fez das três potências um triângulo forte.

A França se viu obrigada a assinar um armistício com os alemães em 22 de junho de 1940. Enquanto a Inglaterra viu-se desalojada de suas bases nos continentes, sendo forçosamente recluída a suas ilhas. Seus adversários Alemanha e Itália multiplicavam suas bases, porém os ingleses conseguiram oferecer resistência. Após feitos admiráveis dos britânicos os Estados Unidos resolveram auxiliar a Inglaterra e entrar na guerra.

O pacto entre Alemanha e União Soviética acabou quando em 22 de junho de 1941 os alemães promoveram a cruzada européia contra o comunismo. Alguns países que tinham pendências com os soviéticos fosse ideológica ou fronteiriça como Finlândia, Romênia e Hungria, auxiliaram a Alemanha nessa invasão.

Hitler queria vingar a Alemanha da vergonha e humilhação sofridas em decorrência da primeira guerra mundial. O seu desejo era dominar o mundo. Alguns historiadores e pesquisadores alegam que havia planos de implantar resistência nazista na Argentina. Mesmo com essa base não tendo sido construída o Brasil foi afetado diretamente pela guerra. Submarinos alemães afundaram navios brasileiros na costa nordestina. O presidente Getúlio Vargas, apesar de ser simpático ás idéias nazi-fascistas, declarou guerra ao eixo.


O BRASIL DECLARA GUERRA


O Brasil cortou relações diplomáticas com a Alemanha, Itália e Japão em 28 de janeiro de 1942 durante a Reunião dos Chanceleres do Rio de Janeiro. Até então, a Alemanha era a maior exportadora de produtos manufaturados para o Brasil. Getúlio Vargas firmou com o terceiro Reich um acordo comercial que desagradou bastante os americanos, já que, o Brasil comprava mais dos alemães. Em 1938 as importações nacionais eram 25% provenientes da Alemanha e 24,2% dos Estados Unidos.

O presidente americano Franklin Roosevelt, sabendo da importância estratégica do Brasil, suportou pressões de empresários contrários à decisão do Brasil e aumentou a pressão diplomática em cima do país sul-americano. Vargas aos poucos foi se bandeando para o lado dos aliados e gradativamente os americanos ganharam espaço em nosso país.

Em 1942 o presidente brasileiro autorizou que fossem construídas bases americanas, aéreas e navais, no nordeste. O esquadrão naval VP-52 ficou lotado em Natal, a 3ª Força-Tarefa americana se transferiu para o Brasil. Sua Função era atacar submarinos e navios mercantes que tentassem trocar mercadorias com o Japão. Em troca os Estados Unidos montaram a primeira siderúrgica brasileira na cidade de Volta Redonda no Rio de Janeiro.

Desde o rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Alemanha até julho do mesmo ano, nada mais do que 13 embarcações brasileiras foram abatidas com cerca de 100 tripulantes mortos. Getúlio Vargas considerou os atentados como inerentes e preferiu não tomar nenhuma medida.

A população brasileira não manteve a mesma passividade do presidente, cobravam a entrada do Brasil na guerra. Opositores de Getúlio acreditavam que sua decisão de se manter neutro no conflito cabia ao fato de que seria uma contradição muito grande um governo autoritário que mantinha restrições ao povo lutar pela democracia.

Getúlio teve que sair de cima do muro em agosto de 1942. A versão oficial dos fatos, diz que no dia 15 o submarino alemão U-507 atingiu o navio brasileiro Baepensy em Maceió, matando 270 pessoas. Minutos mais tarde o mesmo submarino abateu o navio Araraquara deixando 131 pessoas sem vida. Sete horas depois o U-507 bombardeou o Aníbal Benevolo, 83 passageiros e 67 tripulantes faleceram.

Em aproximadamente oito horas o submarino Alemão matou 541 pessoas e diminuiu em três navios a frota naval brasileira. A carnificina não parou por aí, dois dias depois o U-507 voltou a atacar afundando o Itagiba, assassinando 36 pessoas e o Arará onde 20 tripulantes morreram.

Diante de tais acontecimentos, Vargas cedeu. No dia 22 de agosto de 1942 foi decretado Estado de Beligerância. A população enfurecida pelos torpedeamentos pedia mais e fortaleceram a campanha a favor da entrada do Brasil no conflito na Europa. Então, em 31 de agosto foi decretado Estado de Guerra contra Alemanha e Itália. Durante os meses seguintes mais 19 navios mercantes brasileiros foram abatidos. A Força Aérea Brasileira impediu que outros navios fossem atacados desempenhando um importante papel protegendo toda a costa atlântica da América do Sul.

Conversas sobre o envio de um contingente brasileiro a Europa foram iniciadas. Vargas desejava criar uma força expedicionária para auxiliá-lo em dois aspectos: fortalecer internamente as Forças Armadas visando garantir maior tempo de apoio dos militares a sua ditadura e assegurar uma posição com relevante significação para o Brasil no cenário internacional.

Os Estados Unidos haviam prometido fornecer material bélico para o Brasil. Em janeiro de 1943 Roosevelt visitou a cidade de Natal, aproveitando a oportunidade Vargas insistiu para que o país recebesse as armas para que começasse a atuar ativamente nos combates.

Após certa demora, Washington liberou o material bélico para os brasileiros. Assim, os brasileiros começaram a sua movimentação até concluírem a estruturação da Força Expedicionária Brasileira em agosto de 1943. Para comandar as tropas no período de guerra o governo convocou o general Mascarenhas de Morais.


O BRASIL SE PREPARA E VAI PARA A LUTA


No início de março de 1943, o presidente Getúlio Vargas aprovou proposta do ministro de Guerra, general Eurico Dutra, sugerindo a criação da força expedicionária, mas condicionando-a ao recebimento do material bélico necessário inclusive para as tropas que garantiriam a defesa do território brasileiro. A proposta concretizou-se em 9 de agosto, através da Portaria Ministerial nº 4744, publicada em boletim reservado no dia 13 de agosto de 1943, que criou a Força Expedicionária Brasileira, formada pela 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) e órgão não-divisionários. Sua chefia foi entregue ao general João Batista Mascarenhas de Morais.

A 1ª comandada por um general-de-divisão, deveria compreender: um quartel-general constituído de estado-maior, estado-maior especial e tropa especial; uma infantaria divisionária comandada por um general-de-brigada e composta de três regimentos de infantaria; uma artilharia divisionária comandada por um general-de-brigada e composta de quatro grupos de artilharia (três de calibre 105 e um de calibre 155); uma esquadrilha de aviação destinada à ligação e à observação; um batalhão de engenharia; um batalhão de saúde, um esquadrão de reconhecimento, e uma companhia de transmissão. A tropa especial, além de um próprio comando, deveria incluir i comando do quartel-general, um destacamento de saúde, uma companhia do quartel-general, uma companhia de manutenção, uma companhia de intendência, um pelotão de sepultamento, um pelotão de polícia e uma banda de música.

A estruturação da FEB propriamente dita teve início com o envio de oficiais brasileiros aos Estados Unidos, para treinamento. Tratava-se de familiarizá-los com os métodos e táticas militares empregadas pelas tropas norte-americanas, substituindo os franceses, já ultrapassados, que ainda predominavam. Esses oficiais permaneceram por três meses na Escola de Comando e Estado-Maior de Fort Leavenworth.

No final de 1943 decidiu-se o destino da FEB: o teatro de operações do Mediterrâneo. Os poucos meses decorridos até o início do embarque das tropas foram gastos com planejamento das ações e treinamento. Finalmente na noite de 30 de junho, embarcou o 1º escalão da FEB, composto por cerca de cinco mil homens chefiados pelo general Zenóbio da Costa. Junto com eles, o general Mascarenhas de Morais e alguns oficiais de seu estado-maior. Em setembro, foi a vez do 2º e 3º Escalões, comandados respectivamente pelos generais Osvaldo Cordeiro de Farias e Olímpio Falconiére da Cunha. Até fevereiro de 1945, dois outros escalões chegariam à Itália, juntamente com um contingente de cerca de 400 homens da Força Aérea Brasileira, estes comandados pelo major-aviador Nero Moura. Ao todo, a FEB contou com um efetivo de um pouco mais de 25 mil homens.

Na Itália, a FEB uniu-se ás tropas do V Exército norte-americano integrante do X Grupo de Exércitos Aliados. Nesse momento, o objetivo das tropas aliadas ali sediadas era impedir o deslocamento alemão para a França, onde se preparava a ofensiva final aliada. Era necessário, assim, manter o exército alemão sob constante pressão. As primeiras vitórias brasileiras ocorreram em setembro de 1944, com a tomada das localidades de Massarosa, Camaiore e Monte Prano. No início do ano seguinte, os pracinhas participaram da conquista de Monte Castelo, Castelnuove e Montese. O conflito, no entanto, não se estendeu por muito mais. A 2 de maio, o último corpo do exército alemão na Itália assinou sua capitulação, e a 8, a guerra na Europa chegava ao fim, com a rendição definitiva da Alemanha.


OS TRIUNFOS NO CAMPO DE BATALHA


A missão mais importante que coube à FEB foi, sem dúvida, a tomada de Monte Castelo. A elevação, dominada pelos alemães, era uma posição estratégica que impedia o 4º Corpo de Exército de prosseguir a marcha até Bolonha, objetivo maior do comando das Forças Aliadas na Itália. No dia 24 de novembro de 1944 foi feita a primeira ofensiva. Depois de se apoderarem do monte Belvedere, ao lado de Castelo, os brasileiros sofreram uma violenta contra-ofensiva alemã que os obrigou a abandonar as posições já conquistadas. No dia 29 os Aliados iniciaram a segunda ofensiva a Monte Castelo, igualmente barrada pelos regimentos de infantaria alemães. No dia 12 de dezembro iniciou-se o também frustrado terceiro assalto dos expedicionários brasileiros a Monte Castelo, que não durou mais de cinco horas. Mesmo assim, as vanguardas da FEB conseguiram chegar além da metade do caminho programado.

O daí 19 de fevereiro de 1945 foi a data estabelecida pelo comando do V Exército para o início de nova ofensiva, que ficaria conhecida como Operação Encore. Nela seriam empregadas todas as forças do 4º Exército, visando a expulsar o inimigo do vale do rio Rena e persegui-lo até o vale do rio Panaro. A missão dos brasileiros seria desalojar os alemães de Castelnuovo de Vergato, do Monte Soprassasso e, mais uma vez, de Monte Castelo. A grande vitória finalmente ocorreu em 21 de fevereiro.

Para o coronel Manoel Thomaz Castello Branco, oficial de comunicações do 1º Regimento da Infantaria da Força Expedicionária Brasileira, a tomada de Monte Castelo foi mis do que só uma manobra militar bem-sucedida. “Com a conquista de Monte Castelo, esse sedento feito, a FEB saldou um de seus mais sérios compromissos na Itália, pelos aspectos morais que encerrava. O Monte Castelo já não era mais um simples objetivo a conquistar, mas um desafio a enfrentar e uma vingança a executar, cujo desfecho ou seria a consagração apoteótica ou a ruína acabrunhadora” ². Orgulhosamente ficamos com a primeira opção.

Do início de março a meados de abril de 1945 houve um período de menor número de operações. O comando aliado organizava, então, o plano final da campanha da Itália, a chamada Ofensiva de Primavera, destinada a levar com rapidez à derrota definitiva das tropas italianas e alemães. Foi estabelecido que caberia a FEB seguir na direção de Vignola, o que veio a acarretar os vitoriosos ataques a Montese e Zocca. A partir dessas vitórias iniciou-se a perseguição aos alemães que batiam em retirada. Seguiam-se o cerco a Colecchio, Fornovo di Taro, a rendição de divisões inimigas e a corrida para o vale do Pó. Prosseguindo em direção a Turim, os brasileiros ocuparam a cidade de Alessandria, em 20 de abril. De 8 de maio, data da rendição da Alemanha, até 3 de junho a FEB foi empregada na ocupação militar do território conquistado e começou a preparar o seu retorno ao Brasil.


MEMÓRIAS DE QUEM LUTOU E VENCEU


O presente trabalho desde seu início se propôs a buscar informações veiculadas na mídia para realizar em cima delas a pesquisa para a dissertação. Infelizmente a imprensa não deu muito valor para as tropas brasileiras no campo de batalha. Não identificamos nenhum repórter que tenha sido deslocado para os campos de batalha para ser correspondente e trazer notícias para nossa população. Os veículos compravam matérias de agências de notícias que tratam da guerra com o olhar americano.

Todas as informações sobre a FEB contidas no trabalho foram retiradas de livros escritos por ex-combatentes que relataram suas experiências e memórias. Esses relatos nos trazem a realidade do dia-a-dia no front de batalha. Agostinho José Rodrigues, tenente de infantaria à época dos combates escreveu em seu livro sua sensação ao entrar em conflito “Início de tarde. Estamos na “HORA H” – menos dez. Isto é, em dez minutos começa a descida dos pracinhas do Onze pelas ravinas, em direção ao vale. E, aí, estremecerá o front ante o berro ensurdecedor do canhão. E o crá-crá ritmado e contínuo da metralhadora. Mais do que da nossa, da “Lourdinha”. E, também, o chio seco do morteiro. Dos balaços que passam riscando o ar. Trajetórias que se cruzam e se confundem. Chio grosso. Chio fino. E principiamos a contar: “Essa é nossa. Essa é deles...”. Então, sentiremos aquele friozinho gélido a arrepiar a espinha. Dá para prever a sintonia de sons estranhos, cujos acordes ficam a repicar anunciando que começou a grande matança” ³.

A guerra não era apenas feita de combates sangrentos e constantes. As tropas se mantinham no ostracismo por semanas. Ainda no livro de Agostinho José Rodrigues, está registrado “Radiosa manhã. Sol constante. Nuvem alguma encobre o céu. Os canhões permanecem mudos como nas últimas semanas, nesta frente. Patrulheiros vasculham a terra de ninguém e, normalmente, regressam sem novidades” 4. De fato, era assim em todas as frentes de batalha. A falta do que fazer e a ausência de informações da guerra e da família eram os inimigos cotidianos soldados brasileiros.

Para solucionar essa situação, assim escreveu o general Ernani Ayrosa da Silva “Não há dúvida de que os recursos materiais, o preparo dos soldados e a bravura pessoal, geralmente, conduzem a vitórias retumbantes; mas o dia-a-dia do combatente é vencido pela malícia, pela imaginação e por ações de efeito psicológico, levando mais vantagem o mais engenhoso, o mais imaginativo” 5.

E os brasileiros, realmente eram criativos. Em meio ao inverno “nas horas de folga, nosso comandante estimulava a disputa de partidas de futebol. Ele não jogava mas escalava o capitão Sabrosa para o time mais fraco e ficava ao lado do campo gritando: " Ô tchê, passa a bola para o capitão!" e em seguida gritava para os jogadores do time contrário: "Dá duro nele!" Quando o capitão Sabrosa chiava das entradas mais viris e queria dar uma chave de galão o comandante gritava: "Não reclama não, isto é jogo para homem!" 6.

O inverno rigoroso castigou todos os pracinhas, assim relata o sargento João Rodrigues Filho “Passei lá também por momentos muito difíceis! Em pleno inverno, com temperaturas que chegavam até 12 graus negativos, acordávamos mais ou menos as 06:00h, ainda escuro , para irmos fazer o "pre-fligth" nos aviões P-47. Íamos das barracas até a pista a pé, caminhando em valas com gelo (água congelada), e não tínhamos sequer um agasalho! Usávamos os cobertores para nos enrolarmos neles para nos aquecermos. Chegávamos aos aviões e eles estavam cobertos de gelo! Nós, os mecânicos dos aviões, usávamos vassouras para varrer o gelo que havia sobre as asas e o "canopy". Fazíamos o "pre-flight" às 07:00h. A forte neblina (nevoeiro) impedia que os vôos se iniciassem antes das 11:00h! O pior é que nossos vizinhos, os americanos, dos outros esquadrões começavam o "pre-flight" às 09:00h ou 09:30h!” 7


O BRASIL APÓS A GUERRA


A participação no esforço de guerra aliado e, principalmente o envio da FEB ao front italiano, em 1944, levaram o governo brasileiro a supor que o país teria um papel importante a desempenhar nas negociações de paz pós-guerra, na qualidade de potência associada e aliado especial dos Estados Unidos. A reivindicação de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU transformou-se assim em meta prioritária da diplomacia brasileira, embora as negociações relativas ao formato da nova organização tenham ficado desde o início restritas ás grandes potências participantes das conferências aliadas.

O presidente Roosevelt chegou a defender a ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU de forma a acomodar um país latino-americano, possivelmente o Brasil, também é verdade que a proposta foi logo posta de lado diante da oposição da Grã-Bretanha e da União Soviética. Isso não impediu, contudo, que o governo brasileiro continuasse a alimentar esperanças, realizando sucessivas consultar ao governo norte-americano. As respostas deste último eram vagas e ambíguas, o que mantinha vivo nas autoridades brasileiras um sentimento de prestígio, ainda bastante útil na manutenção da aliança Brasil-Estados Unidos. A visita ao Brasil, em fevereiro de 1945, do secretário de Estado norte-americano Stettinius constitui o exemplo mais significativo de forma como Washington alimentava as pretensões diplomáticas brasileiras a fim de obter concessões de natureza econômica e militar. Na ocasião, Stettinius garantiu a renovação de acordos para fornecimento de material atômico brasileiro aos Estados Unidos, naquele momento crucial para a fabricação da bomba atômica.

Compreendendo finalmente que o assento permanente no Conselho de Segurança estava fora de questão, o Brasil concentrou-se, a partir da criação da ONU da conferência de São Francisco, em junho de 1947, na candidatura a um assento não-permanente para o qual foi eleito em 1947.
A FEB perdeu 545 soldados que durante muitos anos no cemitério de Pistóia, na Itália. Em outubro de 1960, suas cinzas foram transferidas para o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, erguido no Rio de Janeiro, no recém-criado aterro do Flamengo. Sua participação no conflito foi importante pois tornou evidente a contradição vivida pelo Estado Novo, que enviava tropas para lutar pela democracia no exterior, mas internamente mantinha um regime ditatorial. O retorno dos contingentes da FEB precipitou, assim, a queda de Vargas em 1945.

NOTAS


(1) O Globo, o globo 2000/16, pg: 328
(2) Veja, especiais online, segunda guerra, 2003
(3) RODRIGUES, Agostinho José. Terceiro Batalhão – O lapa Azul. Rio de Janeiro: Bibliex, 1985 pg 138
(4) RODRIGUES, Agostinho José. Terceiro Batalhão – O lapa Azul. Rio de Janeiro: Bibliex, 1985 pg 45
(5) DA SILVA, Ernani Ayrosa. Memórias de um Soldado. Rio de Janeiro: Bilbiex, 1985 pg 65
(6) FILHO, João Rodrigues, www.sentandoapua.com.br/joomla
(7) Idem 6.

Um comentário:

Chelééénha disse...

Eu disse que ia ler, viu viu!!! Hahahaha... =**